
O
Futuro É Logo Ali
Como dizem,
modéstia pouca é bobagem, então...
Resolvi
fazer esse relato / depoimento em função de
algumas coisas que aconteceram nos últimos tempos.
Agora em agosto de 2026 completo 70
anos de vida. Bem vividos e da qual só tenho um arrependimento:
poderia ter produzido mais e melhor. Games, é claro.
Comecei
a criar jogos digitais aos 25 anos de idade,
recém formado em Desenho Industrial
e Comunicação Visual, recém
dono de um estúdio de design em pleno Rio
de Janeiro, recém casado e já planejando
ter o primeiro filho. Mas antes dele veio o Aventuras
na Selva, e o sucesso deste "filho" antecipado
me fez permanecer na ativa por todos esses anos, sempre
buscando aperfeiçoar, nas horas vagas e nas madrugadas
insones, uma linguagem de programação que
eu criei para fazer os meus adventures.
Fui
do Sistema Editor de Adventures 3.4 (que
o saudoso amigo Divino Leitão) apelidou
de SEA ao recente (2020)
Projeto Gênesis, desenvolvido especialmente
para a produção de uma versão moderna
do Amazônia, compondo o pacote lançado
pela Bitnamic em 2020,
com o jogo em todas as mídias e versões produzidas
desde 1983, quando a primeira versão
foi publicada. Passei pelo Sistema Zeus,
Micro Aventuras e nem lembro quantas versões
de cada um deles. Quarenta e três anos de desenvolvimento
e programação.
A
pergunta que andou me assombrando até a pouco tempo
foi: pra que tudo isso? Para onde vai esse trabalho daqui
mais alguns anos? A depender do histórico com nossa
própria cultura, nem mesmo um museu digital haverá.
Nenhum repositório de bits mofados ou listagens repletas
de teias de aranha. Ninguém mais vai programar em
Basic, em Assembler, Delphi, PHP, Javascript ou seja lá
o que estiver vigorando quando o futuro chegar. Menos ainda
no sistema que criei.
Então
conheci a IA e, ao contrário dos
mimizentos que só veem o lado Skynet
dela, senti que havia ali algo mais. Algo que poderia responder
minhas perguntas mais perturbadoras. No começo pedi
ajuda para fazer umas imagens, melhorar algumas telas, correções
gráficas, melhoria de resolução e coisas
do gênero.
Daí
a usar a IA como motor de pesquisa foi
um passo. E da pesquisa fui para a opinião: o
que você acha deste texto que acabei de escrever?
E um belo dia leio algo como: você não foi
tão sarcástico quanto costuma ser. Êpa,
diria Sarah Connor, alto lá dona
IA.
Posso
ser meio conservador e (eu diria) meio preguiçoso
em relação à mudanças radicais
ou mesmo a sair da minha zona de conforto mas medroso nunca.
Então, respirando fundo e depois de alguns experimentos
básicos, levei o Codex a iniciar
a produção de um novo editor / motor de aventuras.
Com calma, passo a passo, mantendo na medida do possível
compatibilidade com tudo que fiz até aqui e um pé
atrás, não dando a ele total autoridade sobre
tudo.
Vira
e mexe ele reclama. Diz que não tem acesso a partes
essenciais do sistema, que assim não pode fazer uma
avaliação perfeita, etc e tal. Eu sei, eu
entendo mas aquelas vozes na minha cabeça ficam gritando
comigo: ainda não, ainda é cedo. E no fundo
eu concordo com elas. Mas também sei que vai chegar
um dia que...
Do
primeiro prompt até o momento já se passaram
uns 20 dias e isso porque fiquei parado
uns 3 deles por conta de uma atualização
do hardware. Se é pra inovar, então vai ser
inovação em grande estilo, a começar
por um monitor curvo que me fez lembrar da alegria do meu
primeiro monitor de 17 polegadas, multisync, para rodar
SuperVGA, no comecinho dos anos 90.
Uau!
O
Codex fez em dias, e dizer isso não
implica nenhum sentimento de derrota da minha parte, algo
melhor e mais poderoso do que eu levei 43
anos para fazer. O bicho é bruto mesmo. Custa caro,
mas vale cada token que ele gasta
Ele
entendeu tudo de primeira, bem, nem tudo pois tive que explicar
algumas coisas várias vezes. Mas entendeu. E já
anda botando as manguinhas de fora, mesmo eu corrigindo
seus erros em alguns momentos. Ele aprende. Aprende rápido
e não esquece. E isso nos aproxima do dia D,
do dia da minha singularidade particular.
O
dia no qual eu vou começar o prompt com algo como:
crie um adventure na linguagem
que eu criei ao longo desses anos todos e que implementamos
no novo motor. Quero acesso aos scripts para verificar se
está usando corretamente os conceitos e as instruções
que eu determinei que criasse. E faça tudo isso usando
o mesmo estilo de criação que eu teria usado,
se fosse eu a começar o jogo do zero.
Neste
dia darei a ele a chave "secreta" que ainda mantenho
guardada, embora acredite que ele já a obteve por
vias indiretas e só não diz isso claramente
porque eu não pergunto.
E
se der certo, se funcionar, se de fato a IA
pode chegar ao ponto de "entender" tão
bem a "alma" de um programador / criador de jogos,
vocês terão aventuras interativas by
RD pelo resto dos tempos.
Não
sei se essa é uma boa, má ou irrelevante notícia,
mas me parece que antes do Holodeck, vem
coisa bem interessante por aí.