
A
Gamescom Latam Vem Ai...
No final deste mês (abril), São Paulo volta
a ser palco da Gamescom Latam, consolidando
um movimento que vem se fortalecendo desde a fusão
com o BIG Festival. Mais do que um evento,
a edição de 2026 chega com
a responsabilidade de responder uma pergunta importante:
o Brasil já tem um mercado produtor de games ou ainda
está tentando provar que tem?
A
expectativa, ao menos no papel, é alta. A feira acontece
entre os dias 30 de abril e 3 de
maio no Distrito Anhembi, com direito a
Preview Day para imprensa e indústria, reforçando
o caráter híbrido do evento: público
e negócios ao mesmo tempo.
Mas
o que realmente importa não está nos números,
e sim no que eles representam porque existe uma diferença
importante entre um evento forte e um mercado forte. Vale
a reflexão: a festa e a vitrine refletem de forma
eficiente a realidade?
A
expectativa para esta edição é alta.
Números robustos, presença internacional,
grandes empresas confirmadas, área indie cheia, agenda
lotada. Tudo isso ajuda a construir a imagem de um setor
em plena expansão. Durante alguns dias, São
Paulo vira o centro dos games na região. Mas como
sempre, o problema não está no que se vê
mas no que fica depois que as luzes se apagam.
Do
lado dos desenvolvedores independentes, o evento continua
sendo uma das poucas vitrines reais disponíveis,
em larga escala e abundância de jogos. O volume de
jogos inscritos mostra que produção existe
e muita. Mas também deixa claro que a disputa por
espaço é brutal.
Poucos jogos conseguem visibilidade, menos ainda conseguem
algum tipo de acordo ou continuidade concreta. O evento
não é uma feira, no sentido literal da palavra,
ou seja, onde os games são mostrados para serem vendidos.
Mas talvez isso mude este ano com a loja online oficial
da Gamescom. Quem sabe seja o começo
há muito aguardado.
Basicamente
a Gamescom tem, como espaço para
os indies, o já citado BIG festival
e a Game Dev Area, Em 2025
esses dois espaços, por falta de uma sinalização
mais eficiente, resultaram numa exposição
massiva, porém sem muita identidade. Sem contar outras
iniciativas de pequenas mostrar, como a da Abragames.
O
indie brasileiro, é verdade, tem que estar mais calejado.
Tem que chegar nesses eventos não esperando ser "descoberto"
mas tentando sobreviver no meio do barulho. E isso muda
bastante a postura. Mais profissional, mais direto, menos
ingênuo. Ainda assim, o desafio continua o mesmo:
como sair do evento com algo além de um cartão
de visita, uma boa conversa e uma análise (que não
seja um copy do press release do game) em vários
sites que também estão na luta pela sobrevivência
e que, na grande maioria dos casos, se seguram com a popularidade
das grandes franquias internacionais.
Do
outro lado, a presença de grandes empresas ajuda
a inflar o peso institucional da feira. Nomes globais, marcas
fortes, estandes chamativos. Isso é importante, mas
não deve ser confundido com investimento direto no
mercado local. Na maioria dos casos, o interesse é
no público brasileiro, não necessariamente
no desenvolvimento brasileiro. E essa distinção
faz toda a diferença.
A
Gamescom Latam funciona muito bem como
vitrine. Funciona razoavelmente como ponto de contato. Mas
ainda está devendo como motor real de transformação.
Porque no fim das contas, o que importa não é
o tamanho do evento, mas o impacto que ele gera depois.
Quantos
jogos saem de lá com publisher? Quantos estúdios
conseguem dar o próximo passo? Quantos projetos continuam
existindo seis meses depois?
Essas
respostas raramente aparecem uma vez que o pós evento
costuma hibernar até o próximo ano. Não
podemos perder de vista que o "negócio"
da Gamescom não é fomentar
o mercado desenvolvedor brasileiro, mas vender ingressos,
espaço de exposição e patrocínio.
E
talvez seja justamente aí que está o ponto
central. Eventos como esse criam uma sensação
de escala. Durante alguns dias, tudo parece grande: muita
gente, muitos jogos, muita conversa. Mas escala de evento
não é a mesma coisa que escala de mercado.
Para
quem acompanha de perto, a edição de 2026
pode ser observada por sinais simples: a qualidade dos jogos
apresentados, o nível de maturidade dos projetos,
o tipo de conversa que acontece fora do palco e, principalmente,
o que acontece depois. Porque o verdadeiro teste de qualquer
feira não está no evento em si, mas no rastro
que ela deixa.
A
Gamescom Latam já provou que consegue
existir. Agora precisa provar que consegue transformar,
se esse for realmente do interesse dela. Porque, no fim
das contas, evento bom é aquele que termina e continua
acontecendo depois.