
Eu
Joguei Investigação Póstuma
Combo completo: vi alguns posts sobre o jogo (no site IndieBrasilis);
chamou minha atenção o título (pelo
inusitado do nome Brás Cubas); fui
conferir na Steam um dia após o
lançamento e crau! Comprei (melhor dizendo licenciei)
uma cópia por exatos R$ 44,99, já
inclusos os 10% promocionais de lançamento.
Achei o preço um pouco salgado, mas entendo que este
jogo deve ter um apelo maior, no mercado br, do que no resto
do planeta, daí ser um pouco mais caro que a média
dos games tupiniquins. Torço para que façam
muitas vendas e que conquistem espaços lá
fora, para garantir a produção de mais jogos
como esse.
Sei
que o nome Brás Cubas vem lá
do tempo das aulas de história, quando eu estava
no Ginásio. Porém no momento estou em débito
com a professora da época, então, vamos ao
Google para relembrar.
Brás
Cubas foi um capitão-mor e explorador português
do século XVI, que fundou Santos
e a Santa Casa. Mas espera, não
é esse o Brás Cubas do jogo
e sim o personagem fictício da literatura, protagonista
e narrador de "Memórias Póstumas
de Brás Cubas" (1881),
de Machado de Assis, conhecido como o "defunto
autor". Agora sim.
Já
gostei da vibe do jogo, ou seja, se não tivesse comprado
ainda, não teria mais dúvida de que compraria
o jogo mais cedo ou mais tarde (pretendendo jogar muito,
é claro).
Comprar
na Steam é tudo de bom (tenho vários
games comprados lá e 99% deles brasileiros). Clica
num botão, informa o número do cartão
e pimba! Já começa o download. Não
leva nem 5 minutos e o jogo está na mão pra
ser jogado. Sabe como era na idade do bit lascado, até
uns 20 anos atrás? Via um anúncio
numa revista mensal; mandava por carta um cheque nominal;
vários dias depois o cheque era descontado; o disquete
era gravado e enviado novamente por carta; dias e dias depois,
se não chovesse, o carteiro deixava um pacote na
portaria do seu prédio. Então para de reclamar
do preço e bora dar uma força pra nossa indústria.
Download
completo, vamos para as primeiras impressões. Já
gostei do visual; já gostei do estilo do traço;
já gostei da tipografia; já gostei do esquema
história em quadrinhos. Hmmmm, estilo narrativa ou
novela visual - me lembrou de Soul
Gambler, outro jogaço de desenvolvedores
brasileiros (tem matéria sobre esse jogo no IndieBrasilis).
Então
vamos ao jogo, em modo tela cheia para "saborear"
o visual que, diga-se de passagem, é muito bem elaborado,
bem noir. Admito que não lembro de ter lido
o livro original na adolescência, não pretendo
ler nos próximos anos e torço para que isso
não interfira na minha compreensão do game.
Aqui
surge um primeiro ponto: embora tenha sido atraído
pelo enredo vinculado a uma obra literária brasileira
(e seu autor) relevante, não tenho certeza se realmente
isso conta 100% a favor. Entendo que o
fato em si será bem explorado pelo marqueting, como
um toque cultural meio elitista. Na minha modesta opinião,
uma investigação póstuma (ainda que
nos anos 1800) já teria uma carga
atrativa elevada.
Como
tinha previsto, o jogo é puro suco de narrativa interativa
(click and play), com pinceladas de múltiplas
escolhas e um aroma forte de adventure. Já é
um dos meus jogos preferidos de todos os tempos.

Gostei
da mecânica dos diálogos, mas achei que o preciosismo
deles (em alguns momentos) atrapalham um pouco a aderência
do jogador. Em certos momentos a minha atenção
foi desviada para outros assuntos e só não
cheguei às vias de fato porque queria aumentar meu
tempo de partida. Hoje em dia a dinâmica é
extremamente relevante.
Também
gostei muito do sistema de inventário e da manipulação
dos objetos, mesmo que algumas pistas acabem sendo bem óbvias
(mas afinal, isso é normal neste tipo de narrativa).

O
game está muito bem produzido e vale cada um dos
centavos do seu preço mas temo que o desenrolar da
narrativa, na forma como foi proposta, com seus detalhes
elaborados e preciosismos, acabe afastando toda uma geração
que espera por uma maior agilidade do gameplay. O desafio
não é ir até o final do jogo mas voltar
a ele depois de sair para resolver algum problema real.
Como
disse antes, me lembrei de Soul Gambler,
também estilo HQ interativo e baseado
na peça Fausto, de Goethe.
Ou seja, não é nova essa associação
de narrativas interativas com literatura. Pode dar certo,
mas também pode não atrair tanto os gamers
mais novos, criando um certo distanciamento do tipo "ah,
não li o livro então não vou entender
nada". De certa forma isso é preconceito com
a obra (ambas) mas no tempo do gatilho rápido, o
primeiro pensamento sacado pode ser o vencedor.
Pensem
sobre isso, amiguinhos, na hora de desenvolver o gameplay
dos seus jogos. E curtam bastante esse game br de excelente
qualidade.