Programação básica com basic

Tudo começou com o Basic. Beginner's All-purpose Symbolic Instruction Code ou traduzindo para o português: Código de Instruções Simbólicas de Uso Geral para Principiantes. Precisa dizer mais alguma coisa?

Programar em Basic é como ter uma conversa com o computador: pega isso, compara com aquilo, soma aquilo outro, divide, multiplica, se for igual vá fazer isso, se não for, faz aquilo outro. Não tem erro e qualquer mortal mediano aprende usar essa linguagem em uma tarde chuvosa de verão.


Listagem em Basic do Aventuras na Selva

E sim, fiz meu jogo da velha, forca, 21, etc, em Basic mas graças aos deuses protetores dos programadores iniciantes, nunca foram publicados em lugar algum. Na verdade, meu primeiro programa, publicado no clube da computação da revista Nova Eletrônica foi um “controle de conta corrente”.

Passei boa parte de 1982 digitando programas, aprendendo, copiando, tentando entender como tudo funcionava e graças à simplicidade do Basic, as coisas iam de vento em popa.

O Basic foi tão importante na minha formação que o nome deste livro é uma homenagem a ele:

10 – porque Basic é nota 10;

LET – porque é o comando de atribuição imperativa: faça;

GAME$ - porque jogo é uma variável alfanumérica (com conotação financeira no $) - fazer e vender;

= – igualdade, ou faça ser igual a;

“FUN” – a constante string fundamental; engraçado e ao mesmo tempo destacando com as aspas a importância da diversão.

Peregrinei muito por livrarias técnicas do Rio e São Paulo em busca de livros importados sobre programação, até que um dia esbarrei (na Filcres de São Paulo, se não me engano) com um livro de programas para os compatíveis com o Sinclair ZX 81. Tinha ido lá buscar o meu NE Z80, recém convertido para NE Z8000 e portanto quase 100% ZX 81 (faltava o slow, mas isso é um mero detalhe).

No livro tinha os tradicionais jogo da velha, forca, 21 palitos, etc, etc, etc, porém esse livro (cujo nome infelizmente apagou-se de minha memória) me lançou em direção a dois universos inusitados, que marcaram muito toda a minha trajetória no mundo da informática e dos games: os adventures e a programação em assembler.

Um jogo só de texto e tendo que digitar o que é para ser feito? Qual é graça?

Eu já tinha sido apresentado aos adventures através de um grande amigo, também apaixonado por jogos e programação, porém não tinha despertado a minha atenção. Afinal, o jogo era feito apenas com texto e o jogador tinha que literalmente dizer ao computador o que fazer.

Mas no livro havia um pequeno adventure para os micros compatíveis com o ZX 81 e ao digitá-lo comecei a descobrir aquele universo de possibilidades que só existe nos adventures. Paixão à primeira linha digitada.

Todo feito em Basic, o City Of Alzan era um jogo bem simples. De acordo com o autor, era praticamente impossível ter um adventure complexo num micro com 16 Kbytes de Ram e isso soou como um desafio para mim. Em pouco tempo escrevi um sistema funcional que permitiria a construção de jogos pelo menos 6 vezes maiores que o City Of Alzan, no mesmo espaço de memória.

E assim nasceu o Aventuras na Selva, precursor do Amazônia e planejado como um produto completo, com fita cassete, manual impresso, display e na medida para ser vendido em bancas de jornais (coisa aliás que ninguém tinha feito ainda para jogos).


Animação da explosão do radar, do jogo Aeroporto 83

O outro jogo que me sacudiu profundamente foi um jogo de damas, feito em linguagem de máquina. Na época a linguagem era chamada de Assembler e segundo a lenda era a linguagem dos deuses. A linguagem com a qual os deuses da programação criavam seus jogos e programas. Rápidos, inteligentes, cheios de inovações e rodando no máximo potencial dos equipamentos. Eu queria isso. Queria ter esse poder nas mãos.

E por uns 15 anos eu o tive.